30 06 2008

ecoa. um giro neste espaço do entre-dentro/dentre. os dentes estão afiando para colher palavras nos ventos, nas nuvens, nos olhares e nos tocares. ontem, doeu adormecido. e enquanto hoje chorei um banho. estou deixando.
um instante:
fui passear nas possibilidades…
queria fazer um discurso de beijos e abraços/ está aceito: escolha.
“a incrível possibilidade das escolhas se escolherem e serem propriedades de um caso chamado vida”.
por favor, vamos marcar este espaço com nossas risadas e gritar para si “não esquecer de sin ser”.
e depois, um tropeço para se esquecer no abandono de um canto, entre paredes (soa o longe de um pássaro invisível), e somente um prego solitário sustenta uma eternidade onipresente do lar.
vou depositar uma carta para mim, para que depois o outro leia o que eu em tempestade escrevi e esqueci. (mas para você que sabe que é você: não me engane).

tento novamente. volto ao começo:
o discurso inicia com um beijo desfocado num lugar amarelo.

e depois, voltaria no tempo,
onde comi todas as palavras que eu conhecia e daí virei bicho de gente.

e, mesmo como todas as janelas abertas,
escurece.

… e a velha a fiar.

escrevi isto e postei lá no meu blog pessoal. mas já estou tão permeada de nosotros que

vejo isto sendo nosso. obrigad amuitíssimo andré e ver6onica por este ensaio improvisado através de palavras. fiz uma lista e vocês moveram. vejam a lista:

1. abandono

2. desordem

3. impossibilidade

4. recusa

5. rensacimento

6. reconstrução

7. apropriação

8. potência

9. desejo

10. ressonâncias

11. limite

12. eu

13. outro

depois escrevo mais sobre isto-tudo.

abraço super

Lu





17 06 2008

“Adoro descobrir os nós, os arremates, as verdadeiras emendas, os cortes e recortes.”

palavras da grandeza de um anjo, que pousa em lugares surpreendentes.
Angel, encotnrei seu comentário lá no blog do andré e achei super pertinente. pertinente no sentido de
fazer sentido. Ontem, depois do ensaio, após assistir as “verdadeiras emendas” que você e o andré criaram. Ficamos olhando os sentidos passearem por ali, entre a limpeza e a sujeira de um rolo de papel higiênico. Pensei se não estava sendo um pouco imprudente de ter visto tanta coisa possível ali naquela improvisação. Mas depois refleti e me questionei: se estamos fazendo uma busca juntos, se estamos criando o nosso próprio modo de trilhar esta expedição, é possível que eu “saiba” aonde vocês estavam ontem. E quando li este comentário tive a certeza que vocês claramente sabiam. eu acho que os sentidos existem no corpo sim. Ontem fez sentido. E às vezes, falamos algo numa hora inesperada, insusitada e elas estão dizendo exatamente das coerências que pensamos e sentimos com o corpo. Você falar de nós e arremates; ontem falarmos de montar/desmontar; eu levar fios e novelos; andré com novelo vermelho; cantos/esquinas/ dentro/fora; os papéis que ocupamos… será que tudo isso faz sentido ou o avesso de um sentido, quando o sentido ainda está intacto – nu de si mesmo, sem discurso ainda. foi isso que falou a improvisação de vocês. Afinal, por que a Angela levou um papel higiênico????? um papel higiênico também pode ser um novelo? As coisas já tem um nu-sentido, antes delas serem nomeadas. Por isso que remexer, revirar, amassar os papéis pode nos ajudar. Vou pontuar algumas observaçòes de ontem:

1. Angela: “minha culpa, minha culpa! minha máxima culpa”
papel higiênico limpa a culpa de que? o papel higiêncio você usa sem culpa?
a idéia do papel higiênico ser sabido que todos usam, mas ninguém fala sobre e ninguém vê.
o comportamento de um indivíduo usar o papel, mas o coletivo não usa. ninguém se limpa em coletividade.
2. André sai da parede pelo centro de força do corpo. é muito forte isso!!! Você começou na parede, vibrando em ondas. E pude marcar que você retornou pra lá várias vezes, para o seu cordão umbilical (viu como eu não em distanciei do que a V. viu. Puro afeto mae/filho).
3. André e Angel criam uma relação de dominação espontânea, mas sem regras específicas. “minha culpa”. angela pedia para ele parar, continuar, ir mais devagar… Mas o controle de quem não ficou claro. “eu falei que a culpa é minha, não é pra você se bater”. o and’re continua o que estava fazendo, repetindo de novo a movimentação. “homens trabalhando”
4. homens trabalhando: a entrada do papel higiênico
5. qual é o meu papel? andré corta quadrado por quadrado. eles sujam o lugar com os papéis. o papel vira alimento e excremento, além de uma rua por onde a vida caminha e se desenrola.
5. papel/função: ter e usar.

por enquanto, é só tudo isso.

sempre em frente, sem paredes

Lu





VIDA – MOMENTO/MOVIMENTO

7 06 2008

PENSANDO A VIDA: uma cadência de movimentos que se inicíam com o nascimento e se prolongam através da existência de uma pessoa, até que ela se imobilioze completamente. 

A vida implica num pulsar de expansão e contração,  ou seja, a  expiração e a inspiração. Movimentos de ritmos harmoniosos, simples, tão anatômicos que passam despercebidos, contrariando a importância que tanto merecem. 

PENSANDO A IDADE NA VIDA :

                             Mente  –  Pensamento  –  Intelecto

                                                   Ego

o bebê que se move instintivamente em busca do leite materno quando sente fome, que chora quando sente alguma coisa que o encomoda, que tenta equilibrar a cabeça para olhar adiante, que vai se  arrastando pelo chão como um lagarto para alcançar alguma coisa. Em seguida começa a engatinhar e a tentar erguer o seu próprio corpo, lutando contra a força da gravidade para se equilibrar e ficar de pé finalmente. São movimentos soltos em que todas as articulações são acionadas harmônicamente – um bebê se move com sabedoria.

O tempo passa e os corpos vão sendo dominados pela força da consciência,  que por sua vez sofre interferências da mente, do ego e do intelecto. As articulações deixam de ser acionadas devidamente passando a meras acompanhantes dos movimentos. Os corpos vão se “enferrujando”  –  abrindo espaço para dores, cansaço. E o descaso. É comum se ouvir dizer: “é a idade que está chegando”. Do zero aos noventa, se existe a vida, a qualquer hora é tempo de se mover para renascer. Hoje distingo com clareza quem eu fui, quem eu sou e quem eu posso ser, apesar das sequelas deixadas pelos anos de todal falta da consciência do meu próprio corpo.    

VIDA – ALIMENTAÇÃO X ENERGIA = IMPULSO: Eliminação de gorduras – o excesso de peso compromete os movimentos e o corpo, se transformando num convite à imobilidade.

REALIDADE ESPAÇO CORPO: Criaturas senis, corpos mumificados, memorias esfaceladas por drogas químicas ingeridas aos borbotões, retratadas aos quatro cantos de um “espaço para Idosos”. Diariamente, procurados por famílias para “resolverem” seus problemas de convivência com seus idosos, sem se darem conta de estar contribuíndo para aumentar o empilhamento de corpos amorfos com rostos entristecidos, ou melhor, sem rostos, pois tudo se apaga ao mesmo tempo.

A VIDA E O MOVIMENTO: A lembrança de uma árvore que finca suas raízes nas profundezas da terra, recebe a luz do sol, se movimenta com as lufadas do vento, renasce a cada novo amanhecer. A natureza não se abala com tudo que está acontecendo ao seu redor, pois é perseverante na sua decisão de reflorescer, de recriar, de renascer para a missão de gerar frutos. Pessoas são parte da natureza e têm poderes, como a descoberta de novas sensações ao se deixar invadir por estímulos diversos. Os sons da  música preferida, o contato na pele com texturas agradáveis, a chuva forte batendo na janela, o sabor doce da fruta madura. Pessoas são passíveis de se motivarem para buscar seus próprios movimentos na vida. A inércia afasta o sorriso e a alegria de viver e a felicidade não marca hora para acontecer.

MOVIMENTO E RECONSTRUÇÃO: “Idade não é documento”, não foi e não é. Também não será também impedimento para se iniciar qualquer movimento, seja de pensar, de amar, de dançar, de escrever, de estudar ou qualquer outro que se possa imaginar. A capacidade de reconstruir faz parte da vida, independente de tempo, idade ou lugar. O ser humano sempre conviveu com as alterações climáticas, com as catástrofes que o acompanham desde sempre, mas que nunca o abateram porque o tempo que está por vir é a motivação para reconstruir.

A EXPEDIÇÃO: E o momento de partir chegou finalmente! A expedição  se formou no dia 29 de março de 2008 em busca do movimento de seus corpos e através deles fazer descobertas, ainda com destino incerto e inseguro naquela ocasião. E sem medir esforços, a partir de quatro integrantes de diferentes identidades, que ao acaso se encontraram e trocaram experiências em época remota, decidiu-se tomar o rumo da pesquisa e do trabalho. Mesmo sem equipamentos, guias ou veículos adequados, a comitiva aos poucos foi se tornando confiante e com seus copos disponíveis, muitas experiências foram sendo vivenciadas.   Sempre num trabalho conjunto de contatos físicos, com utilização do corpo de formas inusitadas, sempre num jogo de olhar, de cumplicidade e ousadia, constatações foram surgindo e dando contornos mais evidenciados aos caminhos da expedição. Experiências concretas onde paredes passaram a ser pensadas como corpos inertes, o corpo delimitado como sendo os cômodos da casa,  movimentos a partir de fatos da memória do corpo ainda criança, escovação do corpo como sendo um bicho, ordens de movimentos,  condução das partes de um corpo,  ação e reação em diferentes níveis, explorando o espaço físico. Proposta de texto de Hilda Hilst, sendo apenas sussurrado e com algumas palavras soltas mais audíveis.

O texto: As coisas que se pensam no banho. Incrível! Não sei, lavo a cabeça ou não. Não gosto de lavar a cabeça à noite porque tenho a cabeça muito sensível. Já fui a vários neurologistas e eles acham que a minha cabeça é muito boa e que não podem saber o que se passa nela, aliás, com ela e me receitam bezerol e eu tomo, eu tomo bezerol mas não adianta muito. Os neurologistas são estranhos. Um deles está estudando o hipotálamo há mais de trinta anos e ainda não chegou a qualquer conclusão. Sempre que encontro com ele eu pergunto: E o hipotálamo? Ele responde: minha filha, é um mistério, um autêntico mistério. Às vezes eu tenho vontade de dizer prá ele não se preocupar mais com o hipotálamo, mas isso seria o mesmo que sentenciá-lo à morte, porque o homem só vive para o hipotálamo, pelo hipotálamo e sempre com o hipotálamo. E é difícil se acabar com uma coisa pela qual se vive. Isso é…

TRILHAS DECISIVAS: Identidade e alteridade. A pretensão de ser o outro. O “achismo” em ação, fazendo com que o “conhecer o outro” conduza ao poder de manipulá-lo, sem se dar conta de que o entendimento do outro é muitas vezes distante daquilo que se lhe está querendo impor. Os interesses não são os mesmos entre as partes.

O fator expectativa contribuindo para agravar a ansiedade que, em geral, está presente entre partes envolvidas – o eu e o outro. 

É comum se ouvir ou constatar a afirmativa: “o inferno são os outros”.

Relação de corpos e/ou pessoas como sendo pedras de um rio – devir. Pessoas que não permitem ou sempre dificultam a aproximação do outro, permanecem na condição de pedras ásperas, ponteagudas. Pessoas que não admitem mudanças mas que conseguem perceber as mudanças do outro, como pedras que não se desprendem do leito do rio, mas que estão às vezes ressecadas pelo sol. Pessoas que não aceitam qualquer possibilidade de mudança e têm o discurso de que “as pessoas não mudam e são exatamente como são desde que nasceram”, como as pedras mais profundas do rio, fixas, que não chegam a ter contato com o sol.

Pessoas com a necessidade de permanecerem no mesmo lugar para não perder o conforto, o equilíbrio, a segurança. Seria o ponto de convergência da nossa expedição… corpo, movimento, transformação

Angela, D, B, X, angelsol18, expedicionária nº4  

 

 

 

 

 

 

 

  





marionetes

2 06 2008

em outra segunda tão importante quanto a última.. acho que as segundas nunca foram tão importantes, brincamos de manipular corpos com algumas regras. em duplas, tínhamos que dar comandos através do toque em uma parte do corpo, o condutor vai levando esta parte até onde deseja, como se estivesse puxando um fio e assim vai construindo um percurso de formas e ritmos neste corpo-marionete. Claro que tivemos dificuldades: de risco, de controle do outro, de escolhas e precisão. O quanto controlamos? o quanto podemos conduzir? em mim ficou uma pergunta: “o que eu sei sobre o que eu não sei?”





aquele dia

2 06 2008

bom, minha primeira anotação neste diário. como não quero deixar passar, vou pontuar algumas coisas que fizemos naquele ensaio da segunda passada e minha relação com elas:

1. “desmontei e montei o andré e terminei com ele pregado na parede”: espontaneamente catei o andré depois do nosso aquecimento-reconhecimento de terreno e quis brincar com ele como se ele fosse uma massa amorfa, com estrutura de gente. E essa vontade eu já tinha tido antes deste ensaio. Eu tive uma viagem-imagem mental em que eu fazia isso com ele e me senti à vontade para fazer neste dia. Vontade de construir um corpo com cara de gente. Acho que pode ter tido influência dos bonecos da Angela… eu ainda quero trabalhar mais isso – os pesos e volumes sendo manipulados por outro corpo. No final do nosso improviso ele ainda ficou reclamando muito “do prego solitário na parede”. Aí imaginei estes porta-retratos de família, até de gente que a gente não conhece, mas que estão postos com firmeza lá como se ainda existissem. Então pensei, “eu posso pendurá-lo lá”.

2. “nós quatro começamos a nos escalar/desescalar, migrando entre apoios diferentes, formando uma trama de corpos”: neste exercício de improviso, começamos a nos tocar e utilizar apoios diferentes dos nossos corpos e nos outros para mudarmos de posição, mas sempre um em relação ao outro, como uma trama, ou quem sabe, uma estrutura de lego, aquele jogo de encaixe e desencaixe, só que aqui envolvendo a categoria peso. Achei muito legal nos vermos em ângulos inusitados, uma hora olhando para o pé da verônica colado à cara do andré por exemplo… acho que há aí uma boa experiência de desnivelização do olhar. Sempre nos apoiamos nos rostos dos outros para ter confiança,olhando na altura dos olhos. Neste jogo temos que dar atenção a todas as partes pra ninguém cair ou não deixar o todo abalar.
Daí surgiu o “expedição corpo”.

3. parede: cada um se relacionou com a parede de alguma forma. Em momentos individuais e todos juntos. André procurou muito alguma coisa, se desesperou por ela, o que ele procurava? Ele tateava, como se fosse encontrar algum buraco, alguma janela. isso é muito bonito… ver o desespero e o desejo de ir além. E a Angela, quando cheguei pertinho ouvi e me diverti: ‘as coisas que a gente pensa no banho. é incrível!”… Entre quatro paredes, é uma imagem: estamos entre quatro pessoas, entre quatro paredes reais e muitas outras imaginárias… e no banho, podemos pensar qualquer coisa e ser qualquer coisa… como se não houvesse perigo.

4. Coceira: Verônica diz que as palavras coçam… é a vontade de dizer alguma coisa, mas que às vezes só o corpo dá conta? será?

5. mapa móvel: eu, andré e Ve fizemos um percurso com as mãos, construindo uma trilha que não deixa pegadas… as mãos caminham em direçào a alguma coisa, mas não deixam nada atrás… chegamos até uma esquina de parede, até a Angela.

6. impedimento: eu, deitada, tentei fazer sinais com as mãos ou com uma mão só e o André sempre abaixava minha mão. A mão… parece que tudo pode ser dito com a mão…Eu gosto disso também. Ainda nào sei direito o porquê, mas acho legal a idéia cênica de impedimento, de barreira, de “não-pode”, até quando a gente pode se censurar?

7. corpo-casa: ainda com as minhas idéias sobre a possibilidade de adaptar memórias espaciais-afetivas ao corpo agora, comecei a investigar relações de distâncias e ambientes no meu próprio corpo. Ia movendo e dizendo ao mesmo tempo aonde estavam as coisas nesta casa-corpo… fui me enrolando toda… e o andré ficou ao redor e quase dentro desta casa, tentando ver o que eu estava indicando: escada, parede, atrás da escada, cozinha, corredor, quarto, varanda, casinhas, lua.





Vocabulário

2 06 2008

Meio ilhado aqui em casa, sem muito ânimo de sair para ir ao médico… Esbarrei nesse projeto do Itaú Cultural (enquanto buscava notícias sobre o Rumos Dança) e gostei dessa área chamada Vocabulário.

http://www.redesdecriacao.org.br/?verbete=todos

André





pontos de partida

29 05 2008

Estes ítens, não necesariamente nesta ordem, são os dados pessoais q a gente lança num currículo e q teoricamente nos definem. Seriam os pontos de partida para o trabalho de criação. Estímulos. Serviriam tb como âncoras ou bússolas, prá gente não falar de “Deus e sua época”…

A idéia é levantar material em torno de cada um deles – o 1o. foi o da Oficina, certo  ?  Já brincamos um pouco com o 3o. ( Local ). Não quer dizer q o trabalho final vá abordar todos os ítens. Isso só saberemos mais adiante…

 

1) Nome

O que significa

Por quê da escolha, quem escolheu

Apelidos, Sobrenomes, a trajetória

Outras pessoas que têm esse mesmo nome

 

2) Idade

O que é ser velha, ser jovem

Em que época nasceu, as diferenças no mundo então e hoje

 

3) Local de nascimento

a) Geográfico

Porquê nasceu lá, como veio para cá, as diferenças entre lá e cá, a trajetória

b) Familiar

Dinâmica das relações, aprendizagem emocional, estrutura de personalidd

 

4) Endereço (s)

Onde mora, com quem, como, porquê

Emails

 

5) Profissão

Formação, o que faz, “rótulos”, trajetória

 

6) Grupos a q pertence, comunidds